sexta-feira, 27 de Março de 2009

Desenvolvimento Sócio-afectivo





Interação mãe/filho

Construção do objecto

A comunicação entre o bebé e as figuras parentais faz-se através de um conjunto de trocas, de sinais que manifestam as suas necessidades e o seu estado emocional. A qualidade da relação depende da capacidade dos cuidadores responderem adequadamente aos estados emocionais do outro. Este processo foi designado por regulação mútua: processo através do qual o bebé e os progenitores (ou as pessoas que cuidam dele) comunicam estados emocionais e respondem de modo adequado.
Uma das constatações que se tem feito é que o bebé não é um ser passivo que se limita a receber os cuidados dos adultos: é um sujeito activo que emite sinais daquilo que pretende e responde, com agrado ou desagrado, ao tratamento disponibilizado. O bebé influencia o modo como os adultos dispensam os cuidados de que necessita. “Ler os sinais emocionais permite às figuras parentais avaliar e satisfazer as necessidades dos bebés, e permite ao bebé influenciar ou responder ao comportamento que a figura parental lhe dirige”.
Estudos recentes mostram que, logo que nasce, o bebé é capaz de dirigir a sua atenção para estímulos do meio ambiente: distingue sons, vozes e imagens. Recorre a um conjunto de estratégias comportamentais para chamar a atenção da mãe, ou de outro cuidador, no sentido de obter uma resposta para o que precisa. O Choro, o contacto físico, o sorriso e as expressões faciais são alguns dos meios a que o bebé recorre para manifestar as suas necessidades e obter satisfação. São estratégias para seduzir os adultos (e não só os progenitores), impedindo que os abandonem.
Psicanalista e psiquiatra inglês, Donald W. Winnicott nasceu no ano de 1896, em Plymouth, na Grã-Bretanha. Estudou medicina revelando desde logo um interesse especial pela infância. Mais tarde, interessa-se pela psicanálise, sofrendo influências de Anna Freud e Melanie Klein. Mostra-se, no entanto, mais adepto desta última por considerar as suas posições menos dogmáticas do que as de Freud. Melanie Klein chega mesmo a supervisionar as suas primeiras análises. Winnicott desenvolveu um intenso trabalho em dois hospitais psiquiátricos londrinos, onde deu, durante cerca de quarenta anos, consultas a crianças. Em tom de brincadeira chamava ao seu local de trabalho o seu "snack-bar psiquiátrico". Winnicott elaborou uma teoria do desenvolvimento, centrando o seu estudo na díade mãe-filho, na qual estudava as relações e as suas consequências sobre o desenvolvimento do lactente, desde os primeiros momentos de vida. Winnicott coloca a tónica na importância que o meio ambiente desempenha do ponto de vista relacional. Utiliza o conceito de integração do Eu e o papel desta integração no desenvolvimento afectivo que vai de uma dependência absoluta à independência. Winnicott introduz também a noção de objecto transacional, que segundo Laplanche e Pontalis (1967), é " um objecto material com valor de eleição para o lactente e para a criança, nomeadamente no momento de adormecer. O recurso a objectos deste tipo é um fenómeno normal, que permite à criança efectuar a transição entre a primeira relação oral com a mãe e a verdadeira relação de objecto". Winnicott baseou-se, deste modo, na sua experiência clínica para criar toda uma teoria do desenvolvimento que, como ele sempre se preocupou em afirmar, nunca a adoptou por si mesma. Dito de outro modo, Winnicott achava fundamental "partir da sua própria experiência e deixar as coisas serem o que são".




Interacção mãe/filho

Importância da Vinculação


As primeiras fases da vida são decisivas para o desenvolvimento de uma criança. As relações que estabelece com o mundo que a rodeia, designadamente através dos pais, asseguram-lhe as condições para a sua sobrevivência e desenvolvimento, por exemplo, o alimento, o abrigo, o conforto e a segurança. O médico e psiquiatra britânico John Bowlby desenvolveu uma teoria a partir de uma hipótese: a relação privilegiada que o bebé estabelece com a mãe é decisiva para o seu desenvolvimento físico e psicológico.
Segundo Bowlby, para assegurar estas relações existiriam esquemas comportamentais inatos que se manifestam logo após o nascimento e que permitiam estabelecer laços com as pessoas mais próximas, geralmente com a mãe biológica. Assim, chorar, sorrir, mamar, agarrar, seguir com o olhar, constituiriam os comportamentos que o bebé adoptaria para manter a relação privilegiada com as figuras de vinculação, de protecção.
Mary Ainsworth é uma psicóloga que trabalhou com Bowlby e que desenvolveu a teoria da vinculação. Ao regressar aos EUA, aprofunda a sua investigação recorrendo a um procedimento experimental que ficou conhecido como Situação Estranha. Em síntese, a investigadora regista o efeito da separação e do reencontro dos bebés entre os 12 e os 24 meses com a sua mãe:


- a criança está com a mãe numa sala;

- uma pessoa estranha entra e junta-se a eles;

- a mãe abandona a sala deixando a criança com a pessoa estranha;

- a pessoa estranha abandona a sala deixando a criança sózinha;

- a pessoa estranha regressa para junto da criança;

- a mãe regressa para junto da criança.



Segundo Mary Ainsworth, a forma como o bebé reagia, quer à ausência da mãe, quer ao seu regresso, reflectirá o seu equilibrio emocional, que relacionava com os cuidados que receberá.
A partir das suas observações, distinguiu três categorias de vinculação:


- vinculação segura;

- vinculação evitante;

- vinculação ambivalente/resistente

No primeiro tipo, as crianças choram e protestam com a ausência da mãe, mas procuram o contacto fisíco logo que ela entra na sala, ficando calmas. As crianças com uma vinculação ambivalente/resistente manifestam ansiedade mesmo antes da mãe sair e perturbação quando abandona a sala, hesitando entre a aproximação e o afastamento dela quando esta regressa. A vinculação segura seria o tipo de vinculação com carácter mais adaptativo.
Os estudos prosseguidos pelos alunos de Mary Ainsworth mostraram a importância das primeiras vinculações; a sua qualidade influencia as relações que a criança vai estabelecer no futuro, designadamente com os colegas e os professores. Seria como que um modelo do que se pode esperar dos outros.


Interacção mãe/filho

Relação Precoce-Mãe e Filho


O Psicólogo Henri Wallon definiu o ser humano como um ser biologicamente social. Esta vocação social, condição da nossa humanidade, manifesta-se logo após o nascimento nas relações precoces que estabelece com a mãe e com os adultos que cuidam do recém-nascido. Estas relações e as que vamos desenvolvendo ao longo da vida explicam o que pensamos, o que sentimos, o que aprendemos.
O estado psíquico da mãe é outra circunstância que influi muito na criança antes de nascer. Crises nervosas, estados de espírito muito deprimidos, problemas familiares graves ou problemas de qualquer outra índole, a "oportunidade" ou não deste filho que chegue agora, fazem com que a criança receba, através do sangue da mãe uma série de angústias iguais ou maiores do que as recebe depois de nascer, procura evitar esses problemas ao filho que está para nascer é uma das primeiras obrigações da mãe.
O choro é a única maneira que o bebé tem de chamar a atenção da mãe e de manifestar os seus sentimentos de desagrado. Mas, a mãe deve de interpretar o choro do filho, pois desse modo saberá distinguir as causas que o provocam.
Tem muita importância a distinção do rítmo e do tom do choro. Um choro forte, interrompido por movimentos de sucção o bebé chora, pára e engole, como se estivesse a mamar, significa fome. O choro mais prolongado e de tom mais baixo significa mal-estar. Quando a criança tem dores de ouvidos ou outras dores intensas, o choro é agudíssimo. E aquele tipo de choro arrastado, que mais parece um lamento, indica que o bebé está a pressentir uma situação de conflito entre aos pais; é a rabugice clássica, que dura horas.
A mãe deve acorrer quando o filho chora, mas com actuações diferenciadas, se não tiver cuidado, o bebé apercebe-se de que o choro chama a atenção para ele, e passa a chorar só para conseguir esse fim. Por isso, é conveniente adoptar e respeitar uma certa disciplina de actuação.
Para a criança é prejudicial os adultos transmitirem-lhe os seus temores e as suas preocupações. Por isso, a mãe deve ter cuidado com o seu tom de voz, proporcionando ao bebé uma sensação de calma. Se a criança sente fome e a mãe ainda não tem o biberão preparado.
A presença da Mãe é tão importante para o bem-estar físico e psíquico da criança, ou a presença de uma figura materna, ou uma pessoa que desempenhe as mesmas funções amorosas, pelo menos durante um certo número de horas diárias.
A criança que passa algumas horas por dia na creche, costuma criar na Mãe um certo sentimento de culpa que esta procura atenuar com excesso de atenção quando volta a juntar-se a ela. Esta atenção não deve transformar-se num excesso contraproducente, mas sim num sereno e terno interesse pela nova situação estabelecida. No infantário, a criança incorpora uma série de aptidões e habilidades que a irão preparar para a sua futura integração no mundo escolar. A entrada para o infantário significa uma mudança para a criança e também para a Mãe já que ambas aprendem a separar-se. Isto é significativo se se tiverem conta que há Mães que esgrimem uma multidão de pretextos para não mandar os seus filhos para o infantário e para os conservar a seu lado.



Interacção mãe/filho

Processo de Separação/Individualização


Quando nasce, a criança não distingue, como já dissemos, entre o que é ela mesma e o que faz parte do mundo que a rodeia. À medida que cresce, vai conhecendo, pouco a pouco, os limites do seu corpo e da sua personalidade.
A mãe é um contínuo ponto de referência no relacionamento com o mundo: dela, a criança pode esperar tudo e tudo lhe pode pedir. É, como já atrás vimos, mais do que isso: mãe e filho formam uma espécie de união, a tal ponto que praticamente o filho só vive através da mãe.
Mas o continuo desenvolvimento da criança leva-a a tornar-se cada vez mais consciente da sua diferenciação em relação à mãe, a perceber que é um ser distinto. Ao longo deste processo, o pequeno vai descobrindo que a mãe nem sempre está presente, nem acorre todas as vezes que ele chama.
A criança tem mesmo de passar por este primeiro processo de separação. Quando a capacidade da sua memória aumentar e ela se tornar capaz de recordar que a mãe, quando não está presente, não está definitivamente perdida, começará a suportar a sua ausência. Mas o processo de separação não estará concluído, nem lá perto.
Insistir na importância da atitude materna durante este período pode parecer repetitivo. Mas uma mãe ordenada e solicíta, que satisfaça todas as necessidades-incluindo as afectivas-da criança, mas sem se vergar aos seus caprichos, e que saiba ir aumentando a pouco e pouco a distância entre ela e o filho, terá feito um bom trabalho para o desenvolvimento da criança.
A Individualização decorre de um processo especial de identificação e de comunicação entre a criança e a mãe. Para conseguir atingir um desenvolvimento correcto, quer no que diz respeito à maturidade do seu sistema nervoso, quer no que toca à linguagem, à inteligência e ao carinho, o bebé precisa de poder estabelecer muito precocemente - entre os três e os nove meses - uma relação especial com a mãe.
Durante este período dá-se aquilo a que poderiamos chamar a comunicação social pelo sorriso da mãe, mas não apenas o sorriso da boca, pois também contam o sorriso dos olhos, a expressão do olhar, uma certa comunicação ou reconhecimento que vai, inclusivamente, além do carinho e provoca no bebé uma sensação de fascínio total, que é absolutamente necessária para todos os seus aspectos do seu desenvolvimento, mas em especial no campo das suas relações sociais. O que acabamos de dizer não deve confundir-se com a necessidade que a criança tem que lhe dêem mimos, de que também precisa, mas aqui trata-se de algo mais. Não é apenas a quantidade de tempo que se está com o bebé, mas também como e quem está com ele durante esse tempo.Estar verdadeiramente com a criança não significa tê-la ao colo enquanto se vê televisão ou se está atento a qualquer outra coisa. É melhor estar com ela pouco tempo, mas de uma maneira total, intensa, procurando entendê-la e comunicar com ela.
Temos salientado muito o papel da mãe; no entanto, quando a criança começa a conhecer o pai, sem o confundir com outras pessoas, este também desempenha um papel importante na estimulação do filho e em diferentes aspectos da sua organização individual, devido à sua maneira de ser, diferente da da mãe, e aos estímulos, igualmente diversos, que proporciona.
O primeiro contacto do bebé com o mundo é estabelecido através da mãe, e é conveniente que a pessoa que ele valoriza logo a seguir - com a sua forma especial de valorizar - seja o pai, pois isso contribuirá para criar na familia uma melhor coesão futura e dará ao filho melhores oportunidades para o seu desenvolvimento.



Entrada no grupo

Isolamento

Muitos Pais não notam, ou pelo menos não acham preocupante, a timidez e a tendência para o isolamento dos filhos. Com frequência, os Pais das crianças tímidas e isoladas deixam que estas vivam sem entrar em contacto com estranhos, da mesma idade ou adultos, e alegram-se até com a sua aparente tranquilidade e capacidade para permanecerem sós durante muito tempo. Numa sociedade em que geralmente ambos os Pais estão ocupadissímos uma criança tranquila é aceite com maior satisfação que outra muito viva, brincalhona, amiga de movimento e de companhia, de jogos ao ar livre mais que de jogos sedentários de construção.
A atitude esquiva da criança tímida face aos estranhos, a sua forma de se esconder, a sua recusa em falar, são calmamente aceites e aprovadas porque não causam aos Pais os aborrecimentos pela falta de vergonha, pela excessiva confiança e pelo exibicionismo das crianças extrovertidas.
A criança tímida, pouco sociável e tendencialmente isolada é considerada amiúdo como uma "criança boa e bem educada", assim, as dificuldades práticas e emotivas, que aparecem quase no momento em que tem de enfrentar forçosamente os primeiros contactos sociais, ao entrar na escola, surpreendem frequentemente os Pais. A criança introvertida é aquela que tem mais dificuldades no novo ambiente e com as pessoas desconhecidas, e que apresenta reacções de pânico e de rejeição à escola e ao estudo.


Entrada no grupo

Começo do grupo

Por volta dos 3 meses a criança responde com o sorriso aos rostos humanos e manifesta desagrado logo que o companheiro a abandona.
Entre o 6º e o 8º mês distingue o amigo e o estranho. A Mãe é a pessoa preferida. A partir de então notam-se condutas de ciúme e sinais de simpatia.
A linguagem proporciona à criança uma maior comunicação com o ambiente familiar e social que a rodeia. No entanto, as suas actividades sociais são muito egocêntricas, isolando-se nos seus monólogos, ou nos seus jogos simbólicos, de ficção, em que a regra, como norma do jogo, não entra. Por isso as crianças desta idade têm dificuldade em entrar em jogos de grupo.
A criança é inteiramente individualista. Pretende o reconhecimento das suas “proezas” pessoais. Mostra tendência para a teimosia, implicando com os outros, provocando lutas e discussões.
Rapazes e raparigas tem sensivelmente os mesmos interesses, pelo que é aconselhável participarem juntos nas mesmas actividades lúdicas.
No fim desta fase, verifica-se um interesse crescente pelo grupo e revela capacidade para planear com e para os outros. As actividades colectivas são do seu agrado.
Os instintos gregários sobrepõem aos individualistas. Desenvolve-se a lealdade ao grupo e á equipa. A aprovação do grupo é a mais importante.
Interesse crescente pelas actividades competitivas, e através destas o respeito pelas regras e pelas normas do grupo.
Acentua-se o sentido de cooperação intra-grupo e de competições inter-grupos.
Diferença evidente entre sexos. Os interesses são divergentes. Surge os primeiros antagonismos. Aceita bem as motivações recebidas do adulto, do “mais velho”.
A criança realiza, frequentemente neste período, a sua primeira experiência de grupo homogéneo. É capaz de actividades dirigidas com normas simples e de assumir pequenas responsabilidades colectivas. Realiza tarefas contínuas, variadas e tempos curtos. As suas responsabilidades de colaboração e de socialização podem alternar com reacções ainda muito egocêntricas.
Na pré-adolescência a lealdade é muito acentuada para com o “grupo”, a “equipa”.
Acentuam-se as diferenças entre sexos. As raparigas são atraídas por actividades por tipo social. Os rapazes tornam-se agressivos e conflituosos. Aumenta o interesse pela aparência pessoal. É evidente a admiração pelo herói, pelo ídolo.
Mantém-se o interesse pelas actividades competitivas. Acentua-se a capacidade de cooperação.
É a altura de se iniciar a integração das crianças em actividades de grupo e de serem propostos exercícios que favoreçam a maturação das actividades para iniciarem sem dificuldade as aprendizagens escolares.



Entrada no grupo

Relação entre crianças


Contrariamente ao que em geral se julga, as relações das crianças com as da sua idade nem sempre são fáceis.
Sucede frequentemente que uma mãe fica desagradavelmente surpreendida ao perceber que o filho não se adapta aos seus primeiros amigos; o que esperava ir ser uma tarde agradável com uma amiga que tem um filho da mesma idade do seu, torna-se numa experiência com factos muito desagradáveis para si. O filho em vez de se mostrar bem-disposto para com a criança da sua idade, ignora-a ou então, embora comece a brincar, recorre continuamente à mãe; pode também acontecer que comece a brincar mas depressa se aborreça com o “amigo” pelos mais variados motivos.
Outras vezes, a mãe nota as dificuldades do filho quando este vai para o infantário, onde se isola, não participa nas actividades comuns, não consegue estabelecer qualquer laço positivo com os companheiros, ou então mostra-se agressivo e possessivo em relação aos outros.
O interesse e o prazer de estar na companhia de outras crianças manifestam-se lentamente na criança, que, durante os primeiros anos, parece apreciar unicamente a proximidade dos componentes do círculo familiar.
Em seguida, as crianças começam a aceitar estar com as outras, ocupadas em diversas brincadeiras, nas quais, no entanto, não colaboram.
É cerca dos quatro ou cinco anos que se começa a vislumbrar a colaboração, a intervenção de mais personagens no jogo.



Entrada no grupo

Amizade


Até aos dois anos aproximadamente as crianças brincam “ao lado” de outras crianças, não começando a brincar “com” os outros meninos até essa idade. Nos dois primeiros anos de vida é muito difícil encontrar um sentido social nas crianças, já que raramente se estabelece nesta idade a comunicação e intercâmbio que o caracterizam.
Entre os dois e os três anos, as crianças podem agrupar-se à volta de um brinquedo ou de uma actividade comum, e se se estabelece um contacto nunca costuma ultrapassar os limites de um par. Nesta idade, é perfeitamente possível manter a atenção de um grupo em relação a uma determinada actividade num ambiente de perfeita harmonia. As festas infantis de crianças desta idade costumam ser um êxito, sempre que forem dirigidas pelos adultos e se procure chamar-lhes a atenção para uma determinada actividade, quer seja um jogo ou a exibição de palhaços, marionetas ou desenhos animados. A conexão estabelece-se de uma forma superficial; as crianças observam-se atentamente umas às outras, efectuam ligeiros contactos a nível mundial, mas em conjunto actuam de forma unitária, dando a sensação de se sentirem tão satisfeitas com a alegria comum como com o jogo ou com o espectáculo que contemplam. Por si mesmas são incapazes de organizar qualquer jogo colectivo, necessitando sempre de alguém que as dirija.


Entrada no grupo

Cooperação e autonomia


As relações sociais que as crianças formam, bem como a sua capacidade de iniciativa, estão apoiadas na sua competência crescente em representar ideias através da linguagem e das brincadeiras. Utilizando palavras para dar nomes aos sentimentos, estão já capazes de começar a reconhecer as emoções que sentem e que observam nos outros. Em vez de apenas experimentarem a sua própria alegria, ou a de outrem, por exemplo, são capazes de representar a compreensão desse sentimento através das palavras. “Estou feliz. O meu pai vem hoje para casa”. “A Betty parece feliz. Vai ser divertido brincar com ela”. Esta capacidade emergente de identificar os seus próprios humores e emoções, bem como os dos outros, ajuda as crianças pequenas a decidir, com algum sucesso, quando e como abordar os companheiros. A par da linguagem, a capacidade social das crianças pré-escolares, que se encontra em desenvolvimento, bem como a capacidade para tomar iniciativas, são também caracterizadas pela intencionalidade, o desejo de amizade, e a luta para resolver o conflito entre o “eu” e o “nós.” À medida que as crianças de idade pré-escolar ganham experiência no lidar com estas questões, evidenciam uma competência social crescente.
Intencionalidade. Muito do comportamento das crianças de idade pré-escolar é um reflexo da sua intencionalidade, da sua inclinação para serem orientadas por um objectivo. As crianças pequenas são activas na perseguição de objectivos e iniciativa quando trabalham e brincam com os materiais. As crianças destas idades procuram activamente companheiros e associados para observar, brincar ao lado de, imitar, falar com, e interagir ludicamente. No tempo de planeamento, as crianças pré-escolares iniciam muitas vezes a conversa com uma frase sobre outra pessoa:” A Alana e eu vamos brincar juntas.” “O Jeff e eu vamos fazer um carro de corrida.” “Quando a Callie chegar, vou fazer as mesmas coisas que ela fizer.” “Hoje o Aaron não veio, por isso não tenho ninguém com quem brincar.”
Desejo de amizade. A capacidade crescente das crianças mais ovas em iniciar e levar avante relações de amizade com companheiros é auxiliada pela sua capacidade em se expressarem através da linguagem e de se envolverem em brincadeiras cada vez mais complexas que estimulam o interesse e o apoio de outras crianças. A psicóloga Shirley Moore refere que, “as observações indicam que as crianças têm uma maior probabilidade de lutarem com os seus amigos do que com outras crianças do grupo. Contudo, também têm um papel importante no encorajamento dos companheiros para que sejam amigos com quem possam livremente partilhar os altos e baixos das suas experiências diárias.
“Eu” versos “nós”. Ao lidarem com as outras pessoas, as crianças pequenas podem encontrar-se espartilhadas entre o desejo de amizade e pertença, e o desejo de autonomia e independência. “Quero o carro que o James tem” pode estar em conflito com “Quero brincar com o James.” Steven Asher e colegas, investigadores do desenvolvimento social das crianças, relatam que “um aspecto importante da vida das crianças é o de como lidar com a tensão que por vezes existe entre a necessidade de ter influência e a necessidade de ser integrado e de receber afecto.” Resolver estes desejos conflituosos não é uma tarefa que as crianças mais pequenas começam a negociar, obtendo variados níveis de sucesso.
Competência Social. Conforme as crianças de idade pré-escolar vão ganhando experiência no levar a cabo as suas intenções sociais, no manter de amizades, e no resolver de necessidades conflituosas entre amizade e autonomia, encontram-se a desenvolver um alargado leque de competências sociais. A sua capacidade social crescente reflecte-se na possibilidade progressiva em descriminar e escolher entre interacções sociais positivas e negativas, e na tomada de consciência, igualmente progressiva, das necessidades e sentimentos dos outros. A psicóloga do desenvolvimento Marian Radke-Yarrow e os seus colegas observaram que “(as crianças pré-escolares) podem evidenciar consideração pelos sentimentos dos outros e indignação face à crueldade. Podem envolver-se em empreendimentos cooperativos e partilhar posses. Podem arriscar o seu bem-estar para proteger e salvar outra pessoa”.



Criança e o adulto

Da família à creche, ao jardim de infância, à escola


Uma creche deve garantir que a criança é atendida com esmero, com o necessário cumprimento das normas de higiene e de puericultura; mas não menos importante é o facto de dever ter um número de puericultoras bastante grande para que a criança tenha assegurada uma certa dose de presença humana feminina, afectuosa e tranquilizante.
A puericultora deve ser não só uma pessoa que saiba alimentar, lavar e mudar as fraldas à criança, mas também uma mulher com uma forte disponibilidade maternal (o que não significa de facto que também tenha de ser Mãe). Portanto, numa boa creche, as puericultoras não devem ocupar de muitas crianças ao mesmo tempo para poderem ficar longos períodos juntos da mesma criança; só deste modo se pode estabelecer entre a mulher e o bebé uma relação de segurança.A Família representa o primeiro e o mais importante ambiente de educação, mas não é suficiente para dar á criança uma educação válida e completa em todos os aspectos da vida por educação; entendendo por educação não uma pura simples instrução no sentido escolástico da palavra, mas também sobretudo um saber habituar o indivíduo a viver em sociedade, quer dizer em harmonia com os seus semelhantes. O Infantário ou escola maternal representa precisamente o primeiro ambiente de educação extra familiar. O Infantário é muito pelo contrário o ambiente natural e necessário, embora transitório, onde a criança começa a aprender a viver também fora da família.A escola tem uma importância fundamental na formação da criança, não só a nível intelectual e educativo, mas também em tudo o que tem a ver com as relações sociais. Através da escola, a criança integra-se na sociedade e prepara-se para a sua posterior inserção na vida social adulta. A instituição escolar deve potenciar na criança o estímulo para o trabalho, fomentar a sua curiosidade intelectual e incitá-la nas suas vocações. Mas tudo isso sem lhe coarctar a iniciativa e o espírito crítico, tal como propõem as novas correntes da vanguarda pedagógica.
A criança, já desde pequena, sente um vivo interesse em se relacionar com as outras crianças, observando-as e imitando, dentro do possível, aquilo que as vê fazer. Mais tarde, quer nos jardins públicos, quer nos infantários e nas escolas, a amizade e a camaradagem nascem de forma espontânea, precisamente por causa da atracção mútua que as crianças sentem.
Ao mesmo tempo, da relação com as outras crianças podem obter-se proveitosas experiências que ajudem a conhecer o temperamento da criança. Face aos da sua idade costuma mostrar-se tal como é, e pode apreciar-se a sua decisão, a sua timidez, a sua simpatia, a inveja, a generosidade, enfim, os traços de carácter mais peculiares.
Deve-se estimular a relação entre meninos e meninas da mesma idade, ensinando-os a viver em comum, a usufruir do mesmo e a respeitar-se mutuamente.
Quando em casa há vários irmãos deve favorecer-se a harmonia entre eles, ensinando-lhes desde pequenos as regras da convivência.


Papel estruturante do vigilante


Cuidados alimentares e de higiene pessoal e de ambiente. Estabilidade e segurança nas relações com a Mãe ou com quem a possa substituir. As ausências prolongadas e as mudanças constantes de ambiente, podem afectar toda a evolução futura da personalidade da criança.
O bebé deve ser estimulado através da conversa e da manipulação de objectos.
As crianças livres têm muita importância, ao mesmo tempo que os Vigilantes devem estimular progressivamente a criança a sensibilizar-se pelos direitos dos outros e assim ir reduzindo os sentimentos egocêntricos.
Na medida em que as crianças desta idade (18 meses a 3-4 anos) vivem um estado de confusão entre o mundo objectivo e o mundo subjectivo, que se sobrepõe espontaneamente, não se deve usar, como meio de dominar as crianças, o recurso a ameaças de “papões”, de “bruxas”, de “polícias” ou a Mãe adoece, já não gosta de ti.
Uma criança de tenra idade conseguirá adaptar-se a que mais pessoas cuidem dela, sem esquecer a primitiva ligação aos Pais?
Tanto quanto sabemos, a resposta é sim. Até um bebé muito pequeno “recordará” as características mais importantes dos Pais e desenvolverá uma série de expectativas que perdurarão e servirão de “memória” para o regresso dos Pais. Estas expectativas desenvolvem-se nitidamente durante os primeiros três ou quatro meses.
Ao avaliar o trabalho de uma ama ou de uma empregada encarregada de cuidar de um bebé em casa deste, os Pais deverão observar a consistência do comportamento dessa pessoa, o seu investimento emocional e a sua capacidade de respeitar a individualidade do bebé.
Dê atenção a quando ela lhe pega ao colo, para ver se observa e se adapta aos ritmos deste.
Seguidamente, também será bom saber se ela é capaz de respeitar e ter carinho para com os Pais da criança.
Mas se lhe parece que a pessoa que cuida do seu bebé crítica a Mãe por deixá-lo durante todo o dia, será preferível procurar alguém que saiba compreender a sua angústia e aceitar as suas razões para voltar a trabalhar.
Corrigir publicamente uma pessoa é o primeiro pecado capital da educação. Um educador nunca deveria expor o defeito de uma pessoa, por pior que ele seja, diante dos outros. A exposição pública produz humilhação e traumas complexos difíceis de serem superados. Um educador deve valorizar mais a pessoa que erra do que o erro da pessoa.
O diálogo é uma ferramenta educacional insubstituível.
Deve haver autoridade na relação pai/filho e professor/aluno, mas a verdadeira autoridade é conquistada com inteligência e amor. Pais que beijam, elogiam e estimulam os seus filhos desde pequenos a pensar não correm o risco de os perder e de perder o seu respeito.
Não devemos ter medo de perder a nossa autoridade, devemos ter medo de perder os nossos filhos.
Não critique excessivamente. Não compare o seu filho com os colegas. Cada jovem é um ser único no teatro da vida. A comparação só é educativa quando é estimulante e não depreciativa. Dê aos filhos liberdade para ter as suas próprias experiências, ainda que isso inclua certos riscos, fracassos, atitudes tolas e sofrimentos. Caso contrário, eles não encontrarão os seus caminhos.
A pior maneira de preparar os jovens para a vida é colocá-los numa estufa e impedi-los de errar e sofrer.
Nunca coloque limites sem dar explicações. Este é um dos pecados capitais mais comuns que os educadores cometem, sejam eles pais ou professores. Nos momentos de ira, a emoção intensa bloqueia os campos da memória. Perdemos a racionalidade. Pare! Espere que a temperatura da sua emoção baixe. Para educar, use primeiro o silêncio e depois as ideias.
Punir com castigos, privações e limites só educa se não for excessivo e se estimular a arte de pensar. Caso contrário, será inútil. A punição só é útil quando é inteligente. A dor pela dor é inumana. Mude os seus paradigmas educacionais. Elogie o jovem antes de o corrigir ou de o criticar. Diga o quanto ele é importante, antes de lhe apontar o defeito. A consequência? Ele acolherá melhor as suas observações e amá-lo-á para sempre.
Os pais brilhantes e os professores fascinantes não desistem dos jovens, ainda que eles os decepcionem e não lhes dêem um retorno imediato. A paciência é o seu segredo, a educação do afecto é a sua meta.
As relações sociais são um contrato assinado no palco da vida. Não o quebre. Não dissimule as suas reacções. Seja honesto com os jovens. Não cometa esta falha capital. Cumpra o que prometer. Se não puder, diga “não” sem medo, mesmo que o seu filho esperneie. E se você errar nesta área, volte atrás e peça desculpa. As falhas capitais na educação podem ser solucionadas quando corrigidas rapidamente.
A confiança é um edifício difícil de ser construído, fácil de ser demolido e muito difícil de ser reconstruído.
Os jovens que perdem a esperança têm enormes dificuldades para superar os seus conflitos. Os que perdem os seus sonhos serão opacos, não brilharão, gravitarão sempre em torno das suas misérias emocionais e derrotas. Crer no mais belo amanhecer depois da mais turbulenta noite é fundamental para ter saúde psíquica. Não importa o tamanho dos obstáculos, mas o tamanho da motivação que temos para os superar.
Os psiquiatras, os médicos, os professores e os pais são vendedores de esperança, mercadores de sonhos. Uma pessoa só se suicida quando os seus sonhos se evaporam e a sua esperança se dissipa. Sem sonhos, não há fôlego emocional. Sem esperança, não há coragem para viver.